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sábado, 28 de janeiro de 2023

O Que é o Homem?

O Que é o Homem?

“Que é o homem, que dele te lembres...” (Salmo 8.3-4)

No texto acima o rei Davi contemplando a obra da criação e da providência, lembrando-se do favor e bondade de Deus, manifesta em seus livramentos, admirado pergunta; “que é o homem?” diante da grandeza do universo feito pelas mãos do SENHOR.

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” Salmos 8.3-4

"Ao contemplar os céus com toda a sua majestade, Davi sente-se forçado a perguntar porque Deus escolheria algo tão pequeno e insignificante como é o homem, para ser objeto de seu especial amor, revelando-se até as crianças que passam a louvá-Lo (v. 2)”  VIDA NOVA

Lembramos que Deus visitava Adão do Éden (Gn 3.8), lembramos ainda de Noé que o SENHOR o visitou com favor e lembrou-se dele quando vagava na imensidão das águas do dilúvio. (Gn 8.1).

No Salmo 144.3-4. O rei Davi volta considerar a questão do que é o homem, agora pensando na brevidade da vida, na maldade humana e na misericórdia, na grandeza de Deus, e como o SENHOR se interessava por um simples mortal como ele.

"A vida do homem é efêmera e de curta duração. Essa palavra é traduzida por "vaidade" em Ec 1.2. o poeta admirava-se com o fato de Deus cuidar dele." GENEBRA

Mas consideremos primeiro, antes de voltarmos a esse ponto, o que é homem no mundo em relacionamentos com seus semelhantes e o que pensa de si mesmo. Existe pelo menos três visão que o homem tem de si mesmo:

1. O que ele pensa que é - incluindo orgulho, vangloria ou vitimísmo; (Jr 17.9; Pv 3.7; 26.16; 30.12; Is 5.21; Rm 12.3, 16)

2. O que outros pensam e dizem dele - em suas variadas opiniões; (2Co 6.8; Mc 8.27-30)

3. Quem ele realmente é diante de Deus; (Pv 21.2; Sl 139)

Eis o chamado e trabalho teológico, como diziam Agostinho e Calvino: "Conheces a Deus e a ti mesmo".

1. O que você pensa que é - incluindo orgulho, vangloria ou vitimísmo; (Jr 17.9; Pv 3.7; 26.16; 30.12; Is 5.21; Rm 12.3, 16)

No primeiro já temos um grande problema, porque existe o homem consciente, fingido (aí pode incluir o dissimulado/mentiroso e hipócrita) e enganado por si mesmo (enganando e sendo enganado, por si e pelos outros).

O ímpio e o falso profeta, por exemplo, é enganado por satanás e por seu próprio coração ou cobiça. As vezes sinceros, mas errados e propagadores do erro. O engano nem sempre é fruto da dissimulação ou hipocrisia, mas de convicções erradas.

Mesmo sem estarem cônscios de suas heresias, pois acreditam nelas como se fossem verdades genuínas, "fazem ousadas asseverações do que não entendem", mas não conseguem discernir entre sua mão direita ou esquerda, entre a verdade e o erro. São cegos guiando cegos.

Os falsos profetas buscando agradar seus ouvintes como sendo agentes especiais de posse de uma revelação ou condição superior aos demais homens, buscam a autoglorificação usando o nome de Deus em vão, e atraindo para si juízo divino por desprezarem o que diz a Escritura. Pois não examinam, não estudam com temor, e assim não valorizam, nem pregam com fidelidade e zelo, tentando sempre agradar os ouvidos e inflar os egos dos homens cheios de cobiças e desejos avarentos. Antes as despreza na prática, discurso e na vida.

Assim temos nessa problemática a questão do "ego", que tenta preservar a nossa imagem, consciente ou não. Narcisismo e autoidolatria vangloriando e gabando-se. Um tipo de culto em ações de graças a si mesmo e aos seus méritos e feitos. Admirando-se de sua beleza e inteligência, autoestima – estima própria. Assim é a inclinação natural do homem em seu estado de queda.

Conscientes quando tentamos justificar nossas ações desastrosas, com desculpas, dissimulações, fingimento, autojustificativa, releitura e reinterpretações da vida, vitimísmo, perante os outros, com o objetivo autopropaganda. As redes sociais é um exemplo da imagem que se quer passar, tipo um marketing pessoal, onde se intenta causa uma impressão que muitas vezes não condiz com a realidade. Sempre somos os bonzinhos e heróis de nossas autobiografias, exaltando as qualidades e ocultando ou minimizando os próprios vícios e erros.

Inconsciente quando até mesmo o corpo discorda de nossas próprias mentiras. E outras formas de egos, superegos, discutidas pelos psicólogos em geral.

2. O que outros pensam e dizem de você - em suas variadas opiniões; (2Co 6.8; Mc 8.27-30)

Em seguida vem a opinião de terceiros, boas ou ruins a nosso respeito. Dependendo da convivência que tiveram conosco, ou de comentários de outros. Expectativas, frustrações e decepções, experiências ou pensamentos, falas e ações nas quais se identificaram ou não. Favorável ou contrariamente, concordância ou discordância. Esse é também o caso das ideologias, cosmovisões, afinidades ou perfis em geral.

Nesse ponto vem à lembrança daquela máxima: “dizem-me com quem andas que eu te direi quem és”, “quem anda com porcos, farelo come”.

Os relacionamentos humanos, em sua maioria são reais e verdadeiros ou condizentes com a realidade, tanto que sempre trazem alegrias ao menos temporais, boas memórias e/ou tristezas, mágoas e ressentimentos outras vezes, especialmente se não houver perdão e “tolerância” constante.

Os homens nem sempre reconhecerão ou retribuirão o mesmo zelo e consideração que você tiver por eles. Aprendamos isso. Lembremos também que a mesma queixa pode ser aplicada a você por aqueles que esperavam atenção e atitudes melhores suas. Você se frustra e se decepciona com os outros o mesmo acontece com os outros em relação a você, eles se frustram e se decepcionam também. Diante de suas expectativas nem sempre expressas ou compartilhadas. A quem muito se ama, muito provavelmente esse odiará caso haja mágoas não curadas será amargura de alma. Contudo os homens mudam como o vento:

"Os que hoje estão contigo amanhã talvez sejam contra ti, e reciprocamente, pois os homens mudam como o vento. Põe toda a tua confiança em Deus, e seja ele o teu temor e amor... Não te importes muito de saber quem seja por ti ou contra ti; mas trata e procura que Deus seja contigo em tudo que fizeres."

*Livro: "Imitação de Cristo", Tomás de Kempis. Ed. Martin Claret, 2001. pp. 47, 48.

Podemos ilustrar essas questões, com um casal na conquista e no divorcio, por exemplo.

No início dos relacionamentos, seja de amizade ou cortejo/conquista amorosa se oferece o melhor de si, cria-se e vive-se praticamente um perfil ou personagem amoroso, educado, gentil, cortês, sensível, compreensível, etc.

Do outro lado, cresce uma expectativa e imaginário de um pretendente a cônjuge ideal, a pessoa maravilhosa, a melhor que já conheci ou que já existiu neste mundo.

Pois há um esforço mútuo de agrados por palavras e ações, uma série de presentes e lisonjas, elogios, exaltação das virtudes qualidades da pessoa amada, objeto de devoção “eterna”, juras de amor sem fim, para que essa imagem tome forma, personifique. Ao ponto de uma dissimulação natural ou potencializando o que haveria de melhor no ser humano, esse é o momento que se ignora ou omite as falhas, o ponto alto da tolerância mútua sobre o efeito da inebriante da paixão. “A tolice do sábio e a sabedoria do tolo”.

Em vindo as crises e o divórcio, reconhecendo os seus erros e falhas ou não, ambos vão tentar justificar para si e para os outros sua decisão. Raras exceções são aqueles que reconhecem onde falharam, mas geralmente forma tímida onde 80 a 90% do erro foi para o outro.

Preservando na sua imagem e a do outro perante os filhos, familiares e amigos. Ou tentando influenciar a visão do outro. "acusando-se e defendendo-se", "raiz de amargura..."

Carta de divórcio nos tempos de Moisés tinha como objetivo preservar a imagem do outro perante seus parentes, amigos e a sociedade da época. Hoje ela é vista apenas como uma carta de liberdade dos compromissos matrimoniais, permissão para casar com outros quantas vezes quiser, ou quem sabe lá o quê.

3. Quem você realmente é diante de Deus; (Pv 21.2; Sl 139)

Primeira verdade que Deus dá a conhecer ao homem é que ele é pó. Criado do pó e tornará ao pó (Gn 1-3; Ec 12). Como neblina ou tempestade de areia que parece e logo se dissipa. (Tiago) Como erva que aparece, murcha e seca. Pois é um miserável pecador. Pobre, cego e nu (Ap 3), carente da graça, bondade, misericórdia e bendita compaixão do seu Criador. Que o fez vir à existência, Ele é quem o mantém vivo, começando pelo o ar que respira, o seu fôlego de vida. E por sua providência em todos os sentidos o preserva sobre a terra, não somente a ele, mas toda natureza e suas criaturas grandes e pequenas. (Sl 24; Mt 6; Rm, 11)

Somente Deus é a fonte de toda vida e bem que o homem possa desfrutar nessa terra. "pois, separado d'Ele não há alegria." (Ec 2; 9)

Voltando à um dos textos iniciais, vejamos que disseram alguns servos do SENHOR sobre o Salmo 144.3-4: “O homem é como um sopro; seus dias, como a sombra que passa.”

"A pergunta no versículo 3 (“O SENHOR, que é o homem para que te preocupes com ele, o filho do homem para que penses nele?") é muito parecido com aquela do Salmo 8.4, enquanto a resposta ("O homem é como o fôlego; seus dias são como a sombra efêmera", v 4) sumaria o pensamento do Salmo 39.4,5. Se a existência do homem é de uma natureza tão efêmera, então ele necessita totalmente do auxilio do Senhor!" ALLAN BARMAN

Em seus sofrimentos e angústias Jó fez a mesma pergunta ao SENHOR (Jó 7.17) – O que é o homem diante da santidade e justiça de Deus, pois se Ele contemplasse a iniquidade dos homens sem conceder perdão nenhum homem jamais subsistiria.

"3-4. Como preparação para o encontro com Deus (vv. 5s), serve a proclamação, mais uma vez vazada em forma fixa, de que toda dignidade humana-inclusive a do rei nada é por si mesma diante de Deus (cf. Is 6,5), mas consiste no fato de o homem ser objeto dos pensamentos e cuidados de Deus." ARTHUR WEISER

A NVI diz que essas palavras são uma "confissão de insignificância":

"Confissão da insignificância do homem e de como ele depende da ajuda de Deus."

“Verdades simples como a brevidade e a vaidade da vida do homem, e a certeza da morte, nos fazem bem quando pensamos nelas, falamos delas e aplicamos a nós mesmos.” Jó 7 - MATTHEW HENRY

“Pensamentos para a devoção pessoal/em família: Capítulo 7 1. A vida é curta (v. 6,16). A Bíblia é cheia de símbolos que enfatizam essa verdade: "Acabam-se os nossos anos como um breve pensamento" (SI 90.9) e "sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa" (Tg 4.14). As aflições de Jó lhe ensinaram a brevidade da vida não apenas em teoria, mas experimentalmente. Durante tempos de prosperidade, a brevidade da vida se toma algo fácil de esquecer. Como a tolice do homem rico (Lc 12.18), é fácil buscar conforto, pensando que a vida seguirá indefinidamente. As aflições nos ensinam que devemos usar nosso tempo com sabedoria à luz da morte e da eternidade (SI 90.12). Jó 7 - HERANÇA REFORMADA

8.4 Homem (...) filho do homem. Duas expressões hebraicas diferentes, mas ambas destacam a fragilidade e a fraqueza humana. Lembres. Lembrar-se no sentido de consideração e ação. Visites. Inspecione ou dê atenção. Essa pergunta expressa surpresa pelo cuidado que Deus tem pela humanidade (144.3; 3:J67.17). Salmo 8 - HERANÇA REFORMADA

144. "A pequenez e a brevidade da vida humana mostram a grandeza do amor de Deus ao se interessar por uma criatura tão pequena."

"Quando um povo presta obediência cordial e voluntária às leis, subordinando-se todos em seu próprio lugar, pacificamente, isto prova de modo notório a benção divina." Salmo 144.2 - CALVINO

144.2 "Misericórdia. Lealdade amor para que tu acha esta palavra, em outros textos é traduzida também como bondade benignidade ou graça." HERANÇA REFORMADA

“3.6 Jehovah, que é o homem? O salmista amplia a bondade demonstrada por Deus, fazendo uma comparação. Havendo declarado quão singularmente fora tratado, ele volve seus olhos para o íntimo e indaga: "Quem sou eu, para que Deus me demonstre tal condescendência? Ele fala do homem de um modo geral; e a circunstância notória é que ele recomenda a misericórdia de Deus, por mencionara sua condição humilde e desprezível. Em outras passagens, ele cita fundamentos de humilhação que diziam respeito a ele mesmo e à sua vida - aqui ele se limita ao que se refere à natureza comum de todos os homens. Embora, ao discursar sobre a natureza do homem, haja outras razões pelas quais ele poderia ter especificado por que era indigno do respe- to e do amor de Deus, ele menciona, de modo sucinto, o fato de que era como fumaça e como uma sombra. 5 Somos levados a inferir que as riquezas da bondade de Deus se estendem a objetos totalmente indignos em si mesmos. Somos advertidos, ao nos mostrarmos dispostos, em qualquer tempo, a esquecer o que realmente somos e a pensar que somos alguma coisa, não sendo nada, que o simples fato da brevidade de nossa vida destrói toda arrogância e orgulho. As Escrituras, ao falarem sobre a fragilidade humana, incluem tudo que está necessariamente conectada a ela. E, de fato, se a nossa vida se desvanece num instante, o que existe de estável sobre nós? Somos instruídos também sobre essa verdade - não podemos estimar devidamente a bondade divina, a menos que levemos em conta o que somos no tocante à nossa condição, visto que só podemos atribuir a Deus o que Lhe é devido por reconhecermos que a sua bondade é outorgada às criaturas sem qualquer merecimento. O leitor pode buscar mais informação sobre este ponto em Salmos 8, onde a mesma verdade é introduzida.” CALVINO

SALMO 144 - CHARLES SPURGEON

Verso 3. Uma nota de interrogação, exclamação e admiração.

A pergunta:

1. Nega qualquer direito do homem de reclamar a estima de Deus.

2. Afirma a grande honra que Deus colocou sobre ele assim mesmo.

3. Sugere que a verdadeira razão do tratamento generoso de Deus é a afabilidade do seu grande coração.

4. Subentende a conveniência de gratidão e humildade para com ele.

5. Incentiva os mais indignos a depositarem sua confiança em Deus (J. F).

 

1. O que era o homem quando veio das mãos de seu Criador?

(a) Racional.

(b) Responsável.

(c) Imortal.

(d) Santo e feliz.

2. O que é o homem em sua atual condição:

(a) Decaído.

(b) Culpado.

(C) Pecador.

(d) Infeliz e impotente em sua miséria.

3. O que é o homem quando ele acreditava em Cristo?

(a) Restaurado por um relacionamento correto com Deus.

(b) Restaurado por uma disposição correta para com Deus.

(c) Goza as influências do Espírito Santo.

(d) Está em processo de preparação para o mundo celestial.

4. O que o homem será quando for admitido no céu?

            (a) Livre de pecado e tristeza.

(b) Elevado à perfeição de sua natureza.

(c) Associado aos anjos.

(d) Próximo de seu Salvador e seu Deus (George Brooks).

 

O homem indigno é muito considerado pelo poderoso Deus (Ebenezer Erskine).

E uma maravilha acima de todas as maravilhas, que o grande Deus de tanto valor a algo como o homem.

1. Isso aparecerá se você considerar que grande Deus o Senhor é.

2. Que pobre coisa o homem é.

3. Em que grande estima o grande Deus tem esta pobre coisa, o homem.

(Joseph Alleine).

 

Verso 4. Ele não é nada, ele tem planos de ser algo, ele logo se vai, ele termina em nada quanto a esta vida; contudo há uma luz em algum lugar.

O mundo das sombra:.

1. Nossa vida é como sombras.

2. Mas a luz de Deus ilumina essas sombras. Nosso ser está em Deus.

A brevidade e mistério da vida fazem parte da providencia.

3. O destino das sombras; noite eterna; ou luz eterna (W. B. H.).

 

A brevidade de nossa vida terrena.

1. Um assunto proveitoso para meditação.

2. Uma censura para aqueles que providenciam apenas para esta vida.

3. Um chamado de trombeta para preparar-se para a eternidade.

4. Um incentivo para que o cristão aproveite esta vida para a glória de

Deus. (J. F)

 

Versículo 3

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste. A mente carnal não enxerga Deus em nada, nem mesmo no que é espiritual ou em Sua Palavra e ordenanças. A mente espiritual enxerga Deus em tudo, até mesmo no que é natural, ao olhar para o céu e a terra e todas as criaturas. - ROBERT LEIGHTON

"Talvez não haja seres racionais por todo o Universo entre os quais o orgulho apareça mais inadequado, pois incompatível do que no homem, considerando a situação em que ele é colocado. Ele é exposto a inúmeras degradações e calamidades, à ira de temporais e tempestades, às devastações de terremotos e vulcões, à fúria de tornados, às tempestuosas ondas do oceano, às devastações da espada, à fome, pestes e inúmeras doenças; e no fim de tudo ele afundará na sepultura e seu corpo se tornará companheiro de vermes! Os mais dignos e altivos entre os filhos dos homens são suscetíveis a essas degradações e a outras similares, assim como os piores da família humana. Contudo, em tais circunstâncias, o homem- esse fraco verme feito do pó, cujo conhecimento é tão limitado e cujos desvarios são tão numerosos e notórios- tem a audácia de vangloriar-se em toda a soberba do orgulho e gloriar-se em sua vergonha.”

Pergunte ao profeta Isaías: "O que é o homem?", e ele responderá (40.6): o homem é "erva" - "Toda a carne é erva, e toda a sua glória, como a flor da erva." Pergunte a Davi: "O que é o homem?" Ele responderá (Salmo 62.9): o homem é "falsidade", não falso somente, ou enganador, mas "falsidade", e uma fraude. SALMO 8

"Somente vaidade são os homens plebeus; falsidade, os de fina estirpe; pesados em balança, eles juntos são mais leves que a vaidade." Salmo 62.9

Meu escudo. A palavra hebraica significa não o grande escudo que era levado por um escudeiro, mas o prático escudo arredondado com o qual heróis entravam em combates corpo a corpo. Um guerreiro o levava consigo quando usava seu arco ou sua espada. Geralmente era feito de metal, mas ainda era transportável e útil, e ainda servia de ornamento, sendo clareado ou ungido com óleo. Davi usufruiu abundantemente do Senhor, seu Deus, dia após dia, em muitas e bárbaras batalhas. Salmo 144.2 - C. H. SPURGEON

Versículo 3

SENHOR, que é o homem para que dele tomes conhecimento? Somente a condescendência infinita pode ser responsável pelo inclinar-se de Deus para ser Amigo do homem. E fazer do homem o sujeito da eleição, objeto da redenção, filho do amor eterno, o bem-amado da providência infalível, parente próximo da deidade, é, de tato, uma questão que exige mais do que as duas notas de exclamação como as encontradas nesse versículo. - C. H. SPURGEON

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Causas da Pobreza

CAUSAS DA POBREZA

A situação do pobre é um dos principais temas no cenário e discursos políticos, geralmente se considera mais sobre os efeitos do que a causa. Na atual configuração do mundo ela serve à vários propósitos determinados por Deus em sua soberania e governo absoluto, dentre eles podemos mencionar alguns:

Antídoto contra o orgulho e um reconhecimento da dependência de Deus, além de revelar a necessidade do relacionamento humilde com os nossos semelhantes. O SENHOR em sua palavra deu atenção especial ao pobre:

- Colheitas, escravidão, trabalho e descanso.

- Repreensão ao opressor e justiça social.

- Caridade e socorro aos necessitados, órfãos e viúvas.

Calvino descrevia a caridade, abrir a mão aos pobres, como um remédio contra a avareza, e fazia uma clara distinção entre ação social e mendicância, pois muitos podem pedir de fato por necessidade momentânea, outros por vícios, buscam satisfazer os seus prazeres abusando e explorando a boa vontade do próximo.

O dicionário define “Mendicância” como o “ato de pedir, publicamente, com habitualidade, esmolas ou auxílio de qualquer natureza, a pretexto de pobreza ou necessidade". (Dicionário Informal)

A condição que a humanidade vive na atual configuração pós-queda trouxe várias consequências e manifestações do pecado. Os vícios, ostentação, desperdício, cobiça - avareza, roubo, drogas, ociosidade (desperdício de tempo), acomodação e preguiça, e tantas mazelas e inclinações da nossa natureza caída que atrofia e prejudica de várias formas o homem e faz com que ele não faça nada para sair ou mudar a sua condição de pobreza.

Ação Social Efetiva x Assistencialismo – Uma ação social malfeita alimentará a preguiça e a conservação do estado de pobreza e dependência viciosa.

A pobreza pode ser resultado de problemas naturais como desastres, questões climáticas ou condições de saúde, mas, também pode ter como causa, ações políticas desastrosas como guerras ou má gestão econômica, gerando falta de condições e oportunidades do homem sair do estado em que se encontra.

- Injustiças sociais, exploração e corrupção.

- Aumento do Estado por meio dos Impostos, gerando dependência e pobreza.

Ações simples do governo como baixar impostos poderão incentivar investimentos privados e geração de empregos, baixa de preços, aumento de poder de compra e consumo, gerando demanda de produção e mercado e causando vários efeitos em cadeia. Ex.:

- Energia e combustível.

- Ferrovia e transportes.

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*Texto em desenvolvimento.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

A Enfermidade na Vida Cristã

Indicação de leitura:

A ENFERMIDADE NA VIDA CRISTÃ[1]

Enfrentando as doenças com a Palavra de Deus

Prefácio – Douglas Leaman

“Neste livro Dr. César lida com a enfermidade como um médico, mas o mais importante, ele faz isso por uma cosmovisão bíblica. Todos os médicos e pacientes entendem as enfermidades e os tratamentos por uma determinada perspectiva. No entanto, com muita frequência, médicos de pacientes cristãos não pensam consistentemente com pressupostos bíblicos. A consequência é que os cristãos normalmente pensam sobre enfermidades como o mundo o faz. Existem raríssimos livros escritos de uma perspectiva reformada, que lidam com a doença e a medicina, tanto do ponto de vista teológico sólido quanto fisiológico.

A cosmovisão é a lente pela qual você examina, interpreta, e pensa sobre cada aspecto da vida, incluindo as doenças. A Bíblia ensina que todo pensamento deve ser trazido cativo, incluindo medicina e enfermidade, ao Senhor Jesus Cristo. Jesus é o salvador das almas e o soberano Senhor sobre a totalidade do mundo físico e espiritual. Deus está separado e se distingue da criação, mas ele se relaciona com todo o universo, incluindo a pessoa doente, de maneira pessoal. A palavra de Deus é suficiente e fala à totalidade de seu universo, seja explicitamente ou aplicando os seus princípios gerais a todos os detalhes da vida humana...

Os cristãos devem entender como os aspectos físicos e espirituais trabalham juntos. Um homem pode agravar uma gastrite por estar preocupado em perder o emprego. A piora da gastrite tem conexões diretas com o seu pensamento pecaminoso. Outro homem se estressa em sua raiva e consequentemente desenvolve uma elevação de sua pressão arterial. Uma pessoa viciada sofre alterações bioquímicas devido à relação idólatra que ele tem com a droga. A pessoa viciada deseja mais a sensação e o prazer do que obedecer a Deus. Uma resposta espiritual errada aos problemas físicos pode complicar ainda mais a doença. Os pensamentos e a mente impactam positiva ou negativamente na saúde (Pv 3.5-8). Por outro lado uma pessoa doente pode procurar mais a saúde e a cura do que a piedade. Agradar a si mesmo ou agradar a Deus são as duas opções por trás da motivação humana. Muitas pessoas reagem à doença com medo, preocupação, depressão, amargura, angústia e raiva porque têm um caso de amor idólatra com a saúde. Suas reações à doença demonstram o tesouro que está em seu coração, a saber, a saúde. Doença e saúde se tornam o foco de sua vida e Deus é colocado em segundo plano. Isso é egoísmo (idolatria ou egolatria) e precisa de arrependimento. Frequentemente as pessoas doentes não pensam em sua doença de uma maneira bíblica integral. Biblicamente falando, quando uma pessoa está doente, ela precisa de ajuda tanto para o homem exterior quanto para o homem interior.

Toda atividade humana é religiosa pois o homem foi criado como um ser dependente, religioso e adorador, que é responsável perante de Deus em todas as áreas da vida, até mesmo quando está doente. Como o coração deve responder à dor, à doença e à morte, que são comuns em um mundo caído? O cristão deve usar esses momentos de dificuldade para o desenvolvimento espiritual. Deus determinou os momentos difíceis para nossa santificação (Rm 5.1-5; Tg 1.2-4; 1Pe 1.6-7). A adversidade e a dor do mundo amaldiçoado ajudam o crente a ansiar pelo céu e o impedem de colocar toda a esperança nesta vida. O problema de saúde pode ser um propósito santificador quando mantém a pessoa humilde dependente de Deus. Dor e doença ensinam claramente como a vida é breve frágil. O estresse e o medo expõem os corações. É importante para o cristão doente meditar no que ele pensa, teme, espera e se motiva (2Co 5.9; Cl 3.17; 1Co 6.19-20). Hoje, muitos optam pelo caminho mais fácil em vez de permitir o crescimento através adversidade. O cristão pode ter paz na dor e glorificar a Deus quando ele tem um foco vertical correto (Jó 1.20-22; Jo 16.20-22; Tg 1.2-4; 1Pe 1.6-7). Deus pode usar tempos difíceis para tornar alguém mais semelhante a Cristo. Conhecer e crer nessa verdade pode levar o crente doente, através da dor a um caminho para glorificar a Deus. Jesus queria agradar ao Pai. Para esse propósito ele viveu. Os pacientes de Deus precisam ser mais semelhantes a Cristo...

Deus é gracioso e misericordioso ao permitir que o homem moderno descubra medicamentos como os analgésicos. Louve a Deus por esses avanços médicos e, ao mesmo tempo, reconheça que Deus pode usar a dor da doença física para o seu desenvolvimento espiritual. Este livro exorta os cristãos a lembrar da presença e da soberania de Deus, mesmo durante a tribulação. Há muito poucos cristãos que entendem essa abordagem equilibrada.

A palavra de Deus nos diz claramente que Deus está no controle e que tal controle inclui todas as circunstâncias, mesmo as doenças e a dor (Rm 8.28-29). Viver uma vida controlada pela Palavra, em vez da sensação de ter o controle da vida, significa que confiamos e vivemos de acordo com as verdades de Deus em todas as circunstâncias. Não há como escapar dessa realidade (Hb 2.8-9; Ef 1.11; 2Co 4.1- 10; 6.4- 10; 12.7-10; Is 14.27; 46.10). Deus está no controle e o cristão pode confiar nele, mesmo quando há dor na vida. Esta é a vida vivida e controlada pela fé. O Dr. César é um médico que aborda o homem como um todo, porque compreende as questões internas e externas em relação às doenças. Ele estudou o corpo humano por muitos anos, mas também é um médico que entende a teologia e conhece a verdadeira ajuda e esperança que há para a humanidade. Ele leva a sua fé em sua prática e em seu pensamento sobre doenças e enfermidades, ajudando os cristãos a pensar sobre essas questões do ponto de vista bíblico. Ele vê os pacientes como pessoas a serem cuidados (como pastor vê suas ovelhas) e o seu desejo de praticar medicina para a glória de Deus brilha de forma clara. Ele sabe quem é o homem porque conhece o Criador do homem. Ele procura refletir a imagem de Deus em sua prática de medicina e espera que os pacientes façam o mesmo. Ele age como um pastor quando desafia o leitor a entender a doença à luz da providência de Deus.

O povo de Deus precisa pensar biblicamente sobre a medicina, a doença e a resposta da pessoa a essas questões de forma integral. Há poucas coisas nesta vida que são tão certas quanto o problema da dor, da doença e da morte. O corpo humano tornou-se defeituoso após a Queda. Precisamos estar preparados para lidar com essas realidades e pensar sobre elas de uma maneira biblicamente equilibrada. Minha esperança e oração é que este livro ajude muitos médicos cristãos a pensar em sua prática de uma maneira mais biblicamente consistente. Espero que ajude muitos cristãos, que estejam doentes, a pensar e a responder aos seus problemas físicos de um modo que glorifica a Deus. Estou confiante de que este livro fornecerá conselhos sábios, de um homem sábio, para o cristão comum, que muitas vezes está confuso sobre essas questões. Que ele alcance um público amplo para a glória de Deus e para o bem de sua igreja.”



[1] A ENFERMIDADE NA VIDA CRISTÃ: Enfrentando as doenças com a Palavra de Deus, César Miranda dos Santos. Editora Os Puritanos, 2018. (Clique Aqui para Adquirir)


 

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

A Obra Missionária e a Família

 A Obra Missionária e a Família

Introdução

         Ao vermos a expressa ordem do Senhor; de que devemos ir por todo mundo e pregar o evangelho a toda criatura, observamos a necessidade da obra missionária. Contudo, é preciso compreender a função de cada pessoa nesse trabalho, e como a família pode contribuir, participar ou enfrentar dificuldades nessa sublime tarefa. Quando olhamos para a vida e a obra do apostolo Paulo, um dos maiores missionários que o mundo conheceu, temos através do seu trabalho e do seu ensino um padrão apropriado para o envolvimento da família nas missões.

Observações Gerais da Obra Missionária

Quando falamos da expansão do evangelho pelo mundo, e especialmente em uma análise participação da família na obra missionária, não podemos deixar de mencionar o ensino de um dos maiores missionários de todos os tempos, o apóstolo Paulo. Contudo, pelo que sabemos esse apóstolo era solteiro, tinha profissão; fazia tendas para o sustento. Porém, ao escrever a sua primeira carta a igreja de Corinto, descreve a participação dos solteiros e dos casados na obra do Senhor, pois, os solteiros podem dedicassem inteiramente e desimpedidamente ao Senhor, porém os casados têm a preocupação com a família e assim enfrentam maiores dificuldades nesse trabalho. (1Co 7.32-35)

A necessidade principal das missões ocorreu com o entendimento que todo cristão deveria obedecer à ordem dada por Deus em anunciar o evangelho, pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). E a maior parte do mundo não conhece esse fato, enquanto muitos esperam a segunda vida de Cristo, outros não sabem que Ele veio à primeira vez ou não compreende corretamente o motivo da sua vinda.

Uma das primeiras dificuldades desse trabalho é a morte espiritual do homem evidenciada em sua maldade, idolatria, falta de conhecimento e ingratidão ao Deus verdadeiro. Outra dificuldade bem comum é a indisposição de muitos cristãos egoístas, acomodados em seus próprios interesses e desinteressados em cumprir e contribuir com a obra missionária, ou seja, vivendo e falando do evangelho, e auxiliando aqueles que dedicam sua vida inteiramente a esta obra. Pois esse trabalho é realizado de forma voluntária e exige tempo, renuncia e dedicação.

Quando estudamos a vida dos missionários, podemos observar o pouco recurso que dispunham, e isso sempre trouxe dificuldades tanto para a obra quanto e especialmente para a família. Prejudicando muitas vezes até o próprio sustento básico, de tal modo que se não fosse a misericórdia de Deus muitos já teriam desfalecido completamente ou naufragado na fé. De fato muitos deram sua vida a favor do evangelho e as dificuldades sempre acompanharam a vida dos missionários.

Como podemos ver o exemplo do próprio apóstolo Paulo, que além dos vários perigos e preocupações que enfrentava, passou por fome, sede e nudez (2Co 11.23-29). Mesmo tendo uma profissão e apoio de algumas igrejas. (At 18.1-4; Fp 4.10-18)

Dessa forma percebemos que é de grande importância que a igreja ofereça um apoio não só espiritual, mas também financeiro. Além disso, é necessário que haja um preparo adequado para aqueles que vão para a obra missionária longe da sua comunidade, um acompanhamento das dificuldades reais do campo e um constante incentivo animador motivando o missionário a permanecer fiel ao Senhor.

O trabalho do missionário é em Conjunto, seja com a igreja, acompanhando e dando o auxílio necessário para que este desempenhe sua missão corretamente, seja com a junta missionária dando o apoio financeiro e enviando reforços humanos. Esses devem trabalhar em conjunto buscando sempre harmonia com seus companheiros e intercambio com outros obreiros mais próximos. Assim poderão compartilhar suas dificuldades, experiências e benefícios, colaborando com os outros no progresso do evangelho naquela região.

As famílias também devem apoiar e participar dessa tarefa, mantendo contato constante com os que estão longe, pois os laços familiares animam e fortalecem os que estão distantes. Além disso, os missionários devem compreender biblicamente suas responsabilidades conjugais e os seus votos matrimoniais diante de Deus. A mulher deve cuidar e apoiar seu marido, buscando compreender e contribuir com a tarefa que o Senhor lhe deu. Por outro lado o marido deve entender o papel da mulher tanto na família como no seu chamado específico. Assim deve estar ciente qual sua responsabilidade para com ela e com os filhos, independe do seu chamado missionário, pois sua primeira função diante de Deus é ser um bom esposo, companheiro e pai. Portanto pregar faz parte do seu trabalho.

O diálogo entre o casal é indispensável, tanto no planejamento familiar como na distribuição das responsabilidades dos mesmos. Pois a deficiência dessa comunicação aumenta os conflitos e provoca traumas devido a uma má compreensão do papel de cada um em seu chamado. Há caso de missionários que abandonam completamente suas esposas com seus filhos e somem no campo missionário, outros que exigem de forma arbitrária lhe seguirem para lá e para cá sem considerar a opinião de ninguém e vivem assim desordenadamente, semeando com as suas próprias mãos a ruína da sua família, causando e cultivando tristezas, traumas e angústias em seu próprio lar.

Contudo, o apostolo Paulo demonstra que o marido não deve se apartar de sua esposa, a não ser por mutuo consentimento por um breve tempo e para dedicar-se à oração, e logo volte a ajuntar-se para que o diabo não destrua a sua família. (1Co 7.3-5)

De fato, e lamentavelmente, muitos missionários desconsideram gravemente o que a própria Palavra de Deus diz a respeito da vida familiar. Dessa forma, sofrem terrivelmente as conseqüências com desobediência e falta de conhecimento. Por isso que o mesmo apostolo aconselha que aquele que quer viver integralmente para obra, é melhor que não se case, porque ao casar deve cuidar das coisas referentes ao seu lar. E não só ele, mas também o apostolo Pedro falando acerca do casamento, diz que o homem deve viver a vida comum do lar. (1Co 7.32-35; 1Pe 3.7)

Na maioria dos casos há uma incoerência entre a mensagem e a vida do mensageiro, tanto pessoal como familiar, pois, como muitos irão levar o evangelho que restaura vidas e as famílias se a sua própria está completamente em ruína, e vive contrariando a própria Palavra de Deus. As Escrituras falam dos que desejam exercer alguma liderança espiritual, governe bem a sua casa, amando a sua esposa como Cristo amou a igreja e criando os seus filhos no caminho do Senhor, (1Tm 3.4,5; Tt 1.6,7; Ef 5.25-29). Gandhi censurando o mal testemunho de um cristão, disse certa vez: “O vosso Cristo eu aceito e admiro, mas o vosso cristianismo não.

Portanto, o mal testemunho de muitos fala tão alto que as pessoas não conseguem ouvir o que ele diz sobre o evangelho de Cristo, até mesmo os de sua casa não compreendem a sua mensagem. Assim, o trabalho no campo missionário, exige muito do obreiro e de sua família, Especialmente quando eles são totalmente dedicados a obra há um desgaste natural fruto dos esforços constante do trabalho missionário, que muitas vezes afeta a relação familiar. É necessário haver um período de repouso e afastamento do contato direto com o campo, isso por causa do cansaço do obreiro e sua família, causados pelas dificuldades e conflitos relacionais. Esse momento chamado de férias serve para renovação das forças e do relacionamento familiar.

Contudo, esse retiro temporário só é possível com o apoio da junta de missões, enviando para lá substituto competente, preparado de antemão para suprir a ausência temporária do obreiro responsável por aquele campo. No caso das férias do missionário ele poderá se preferir manter contato indireto com os seus companheiros de campo. Dessa forma continuará cooperando com o progresso do trabalho naquela região.

Como sabemos a parte prática de missões é realizada de forma voluntária por cristãos que sentem de forma íntima o desejo de anunciar as boas novas a todos e em todos os lugares. Porém, além do apoio que já mencionamos à cima, é importante que aquele que está disposto a viver integralmente para este chamado específico, tenha ciência do alto privilégio e das dificuldades que encontrará em seu caminho. E em casos de ausência ou atrasos do apoio necessário da sua manutenção pessoal e familiar é importante que tenha uma profissão ou habilidades que lhe auxilie nessa tarefa.

Os Missionários e a Família[1]

            Podemos identificar à luz da história como a falta desse entendimento e de uma preparação adequada pode acarretar danos em muitas famílias e na obra de vários missionários, e como sua vida familiar acabava dificultando ou prejudicando o testemunho e a expansão do evangelho de Cristo. Contudo, mesmo assim muitos deles deixaram seu legado, seu exemplo bom ou ruim, e também há aqueles que marcaram a história e seus pensamentos influenciaram muitos.

            Como por exemplo o Conde Nicolaus Ludwig Von Zinzendorf, Um dos maiores missionários estadistas de todos os tempos, considerado um dos pais do pietismo, com sua metodologia de trabalho, fez avançar a causa das missões protestantes durante do século XVIII.

            Ele nasceu em 1700 em meio à riqueza e nobreza Alemã, e educado pela avó e tia num ambiente evangélico pietista, fez com que seu coração fosse guiado pelas coisas espirituais. E foi aos 19 anos que em uma viagem pela Europa sua vida foi impactada ao ver um quadro que mostrava Cristo suportando a coroa de espinhos, com os seguintes dizeres: Fiz tudo isto por ti, o que fazes tu por mim? Essa experiência teve uma influência enorme tanto na sua vocação como também em sua formação teológica e espiritual.

            Porém só foi em 1722 que Zinzendorf se envolveu em um serviço Cristão, ao acolher um grupo de refugiados protestantes na sua propriedade em Berthelsdorf, também conhecida mais adiante como Herrnhut. Este lugar cresceu rapidamente, e refugiados religiosos começaram a chegar transformando a propriedade em uma próspera comunidade, cheias de casas e lojas. Em conseqüência disto surgiram problemas chegando a ameaçar sua existência.  Porém, cinco anos mais tarde o clima mudou, através de um culto no dia 13 de agosto com um grande avivamento que, segundos os participantes, marcou a chegada do Espírito Santo em Herrnhut.

            Embora Zinzendorf tenha abdicado a sua vida de nobre, ele nunca conseguiu eliminar sua arrogância e presunção, achando difícil se rebaixar à vida de um missionário comum.

            Foi supervisor por 33 anos de uma rede mundial de missionários leigos, treinando-os para evangelizar com seu próprio sustento, esperando que eles trabalhassem junto aos seus prováveis convertidos, dando bom exemplo de vida e testemunho de sua fé também por palavras. Além disso, aconselhava aos jovens que permanecessem solteiros e quando tinham a permissão para casar-se, a esposa, em geral, era escolhida por sorteio. Contudo, os missionários tinham seu ministério como prioritário, abandonando assim sua esposa e família por causa do evangelismo.

            O bom exemplo disso era o próprio Zinzendorf. Sua mulher e filhos ficavam quase sempre para trás enquanto ele viajava pela Europa e outros lugares. Colocando a responsabilidade sobre a esposa de tratar dos seus negócios e assuntos legais. E nos últimos 15 anos de sua união o casamento era apenas nominal. Causando remorso após a morte de Erdmuth, sua esposa, pois tinha sido extremamente negligente, esquecendo-se de que ela era uma mulher, esposa e mãe.

            Depois de passado o luto, casou-se com uma camponesa. O casamento passou um ano em segredo para evitar conflitos em família, por se unir a alguém de um nível social tão inferior. Porém apesar de sua condição, Anna era uma irmã dedicada que teve influência ideológica sobre seu marido, especialmente na área do misticismo. Causando graves problemas na missão.

            Sob a liderança do Conde, a igreja colocara grande ênfase à morte de Cristo. Com o passar do tempo, o que fora uma ênfase se transformara em terrível obsessão, e a igreja inteira parecia estar sendo levada por uma forma radical de misticismo. Esse movimento teve um impacto negativo em missões. Quanto mais místicos e introspectivos os morávios se tornavam em sua identificação com o sofrimento físico do Senhor, menos se preocupavam com as necessidades alheias, especialmente com relação à evangelização mundial. Tudo isso poderia ter findado se o conde não o reconhecesse que a igreja havia “degenerado grandemente” e que ele mesmo talvés havia ocasionado isto. Zinzendorf conseguiu superar esse breve período, porém perigoso e alcançou que os seguidores retornassem ao caminho certo.

            Outro problema que vemos foi sua falta de administração financeira, causando dívidas astronômicas.

            Outro missionário que também deixou sua marca e chamou nossa atenção ao estudar sua vida foi William Carey. Ele nasceu em 1761 de uma família simples, perto de Northampton, Inglaterra. E com 16 anos passou a ser aprendiz de sapateiro, onde foi convertido por intermédio da influência de outro aprendiz.

            Antes de fazer 20 anos casou-se com a cunhada de seu empregador, Dorothy. Esta, como muitas das mulheres inglesas do século XVIII de sua classe social, era analfabeta. A união desde o início não tinha harmonia e com o passar do tempo e a ampliação dos horizontes de Carey, o distanciamento entre eles só aumentou. Os primeiros anos de casamento foram difíceis e pobres.

            Após a publicação de um livro que apresentava muito bem a defesa das missões estrangeiras houve a decisão dos ministros em organizar uma nova junta de missões (Sociedade Batista Missionária). Com isto, foi nomeado o primeiro missionário, John Thomas, para ir para as índias. Imediatamente Carey se ofereceu como companheiro adequado para Thomas. E esta decisão foi entendida como repentina, pois a igreja ficou perturbada com a perda de seu pastor, seu pai veio julgá-lo como louco e sua mulher também se opôs a esta viagem, pois iria embarcar em uma viagem ariscada de cinco meses com três filhos pequenos e o quarto a caminho, para passar o resto de sua vida em um clima insalubre. Porém isso não foi obstáculo para Carey viajar.

            Chegando na índia e com receio de ser deportado mudou com sua família para interior. Ali, cercados pelos pântanos cheios de malária, os Carey viveram em tristes circunstâncias e Dorothy e os dois meninos mais velhos ficaram muito doentes, necessitando atenção constante de Carey, este, tendo seus sonhos idealistas do trabalho missionário rapidamente desaparecendo.

            Por outro lado, Dorothy, com o passar do tempo, separou-se de sua irmã, e a morte trágica do pequeno Peter de cinco anos sua saúde física e mental declinava cada vez mais e Dorothy, aparentemente, sofria alucinações que a convenciam que seu marido era infiel a ela. Estes delírios da sua mente não só causaram grandes tumultos, como também criaram confusão em seu ministério e mensagem. Essa circunstância teve seu preço para Carey, como fica evidenciado em suas anotações em seu diário: “Esse realmente é o vale de trevas e morte para mim, [...] Ó que fardo é o coração árido”.  Mas apesar da situação traumática da família, Carey não esqueceu a finalidade de sua presença na Índia, deixando um legado para os futuros missionários. Além do evangelismo, educação e tradução, focou sua atenção em questões sociais, especialmente contra o infanticídio e a queima de viúvas. Tinha como objetivo fundar uma igreja nativa “por intermédios de pregadores locais”, fornecendo as Escrituras na língua nativa e foi a essa finalidade que dedicou sua vida.

            E por ultimo queremos lembrar o casal Marcus e Narcissa Whitman, esses últimos por muito tempo foram considerados como Mártires do cristianismo no oeste dos Estados Unidos. Contudo, os últimos detalhes do seu ministério naquela região, demonstra o quanto foram imprudentes e o quanto foi prejudicial ao evangelho sua estada entre os nativos, mesmo sendo ele médico e trabalhando entre os índios.

            Nascidos no início do século XIX, ambos experimentaram o avivamento espiritual daquela época. Ela era professora do jardim da infância, e filha de um juiz. Contudo o coração de Narcissa estava inclinado ao trabalho missionário. Os primeiros equívocos que vemos nesse casal diz respeito ao seu casamento, ela queria ser missionária, porém, naquele período as mulheres solteiras não podiam se alistar nas juntas de missões, e assim vivia a lamentar esse fato.

            Marcus Whitman, era médico e chegou a lecionar medicina por algum tempo, mas também tinha interesse em missões, e sabendo de Narcissa foi a sua procura, e lhe propôs um acordo. Em seguida saiu a procura de um campo missionário que fosse apropriado para os dois e quando voltou casou-se com ela, esse contrato matrimonial que aparentemente tinha um propósito bom no início se desdobraria de forma trágica no final.

            Tiveram dificuldades em trabalhar em conjunto com outros missionários o casal Henry e Eliza Spalding também estavam indo trabalhar naquela região, ele era um ministro com bom treinamento, porém tinha dificuldade me trabalhar em equipe, Narcissa tinha conhecido o Sr. Henry anos antes e havia recusado casar com ele. Contudo, concordaram em viajar juntos, a viagem foi bastante complicada, sugiram conflitos relacionados à ciúmes, e também tiveram muitos problemas de saúde. Pouco tempo depois os dois casais resolveram trabalhar separados. 

            Depois de algum tempo vivendo no campo missionário, devido as constantes dificuldades financeira e resistência dos nativos à aceitar o evangelho, o casal Whitman se esqueceu do propósito inicial pelo qual tinham ido viver entre os índios.

            Narcissa passou a se dedicar apenas aos serviços da casa fazia tudo sozinha e não aceitava a ajuda de ninguém, as brigas eram freqüentes, sempre criticava as outras mulheres e não explicava o que deviam fazer, e as vezes passava o dia inteiro sem sair do quarto. Tinha abandonado completamente aquele fervor e desejo por missões. Vivia constantemente aborrecida, triste e angustiada naquela região. 

            Além disso um evento que marcou a vida desse casal foi a morte de sua única filha, que morreu afogada aos dois anos de idade em um dos rios da vizinhança ao sair sozinha, a partir daí os desgostos de Narcissa aumentaram, ao ponto de escrever ao seu pai dizendo que sofria com “sua profunda tristeza” e sentia-se “desesperada e deprimida”.    

            Começaram a plantar e comercializar seus produtos, em seguida buscavam ter sempre mais lucros naquelas terras, a sua casa e as roupas que usavam causavam aborrecimento aos nativos, que diziam que eles estavam ficando ricos à custa dos prejuízos deles, os conflitos aumentaram ainda mais quando eles passaram à hospedar constantemente os estrangeiros que viam àquela região.

            Os índios também os culpavam de trazer doenças para suas tribos, pois, muitos estavam morrendo mesmo sobre os cuidados médicos de Marcus, que foi posteriormente acusado ignorantemente pelos índios de estar envenenando-os, tudo isso terminou em um massacre à família Whitman e seus hospedes sendo poupados apenas as crianças e as mulheres com exceção de Narcissa que também foi assassinada.

            Contudo, o casal Spalding que ficou trabalhando próximo aquela região desenvolveram um excelente ministério, Eliza ensinava as crianças e os adultos, usava também vários recursos visuais produzidos por ela mesma. O trabalho exemplar do casal Spalding, mesmo sendo ele de temperamento difícil, foi reconhecido por missionários que sucederam o casal após sua morte por causas naturais, afirmavam que o povo era muitos educados e demonstravam muito interesse em aprender cada vez mais o evangelho. Surgiu assim uma escola de pregadores, que mesmo tendo de trabalhar duramente na terra, eram sempre dedicados ao estudo da Palavra de Deus.

Conclusão

            Quando observamos esses e outros exemplos do trabalho missionário, podemos ver a existência de uma grande diferença entre o que se tem em mente e a realidade da obra e dos campos missionários. Contudo, houve muitos benefícios para obra de evangelização, apesar da dificuldade de muitos em realizar essa excelente tarefa. Podemos também observar que um despreparo tanto, bíblico como familiar do missionário, pode trazer consequências trágicas para esse sublime trabalho, provocando traumas e outros prejuízos, tantos pessoais como coletivos.

Ivanildo S. dos Anjos    



[1]Os exemplos aqui descritos são encontrados no livro “Missões Até Os Confins da Terra: Uma História Biográfica”, de Ruth A. Tucker, Editora Shedd, 2010. págs. 103-127, 138-148.