A NOBREZA DO SAGRADO MINISTÉRIO
Esse texto visa considerar a excelência e dificuldades do
Ministério da Palavra, iniciando por uma breve (recordação) apresentação do processo de
capacitação e ordenação dos pastores presbiterianos. Em seguida, observaremos algumas exortações bíblicas sobre esse Sagrado Ofício.
O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo sobre a obra do SENHOR, diz
que aqueles que a desejam, almejam uma excelente obra e que esses precisam estar
habilitados. Dentre suas qualificações, devem ser também primeiramente experimentados
(1Tm 3.1-12). Desses princípios surgem a prática de exame e preparação dos
candidatos ao Sagrado Ministério em nossas igrejas e seus concílios.
Alguns passos normalmente são adotados visando a confirmação
do chamado, especialmente para o Ministério da Palavra:
1.
O
chamado interno
- Esse se assemelha
muitas vezes a fé (vocação eficaz). Há um desejo, convicção, temor da responsabilidade, relutância
ou disposta prontidão de obedecer ao chamado. Essas são particularidades de
cada um. Ex.: Moisés, Jeremias, Isaías, Mateus, Paulo. (Calvino chegou a ser
constrangido e intimado por Guilherme Farel)
2.
O
exame da liderança eclesiástica
- Realizado em duas
partes:
1. Igreja (conselho): a
observação e testemunho da liderança local, seguido pela análise das convicções
e motivações do aspirante. (em igrejas que adotam o sistema ou forma governo
episcopal, geralmente a liderança conduz ao cargo e ordenação ao sagrado
ofício).
Testemunho pessoal (histórico), onde se ressalta questões da vida em
geral, família, atividades e relacionamentos. Paulo relembra o privilégio de
Timóteo que herdou a fé que habitou na avó e mãe, e também o acompanhava, sendo
este instruído nas sagradas letras desde a infância, diz ainda que sua fé era
confirmada por muitas testemunhas.”
“Responsabilidade do
Conselho: Quem se sentir chamado para o ofício de Ministro da Palavra de Deus
deverá, preliminarmente, estar arrolado como membro e perfeitamente integrado
na vida da Igreja... quem se apresentar como vocacionado para o ofício de
pastor precisa demonstrar, através de vivências e práticas, a sincera vocação
para o ministério pastoral. Cabe ao conselho atestar e validar a vocação do
declarante. Para fazê-lo, o conselho deve ter absoluto conhecimento das
habilidades, competências, virtudes e aptidões do declarante. Em hipótese
alguma, sob qualquer pretexto, o conselho deve abdicar deste direito e dever
que lhe confere a Constituição da Igreja. O conselho precisa exercer esta
competência com piedade, amor e profundo senso de responsabilidade. O Conselho
da Igreja Local é o Concílio Responsável Pela Comprovação Vocacional do
Declarante. Cabe ao conselho da igreja, como Concílio que é, comprovar a
alegada vocação de quem se candidata ao Ministério da Palavra de Deus. O
conselho precisa estar convencido desta sua responsabilidade nesta fase
decisiva do vocacionado. Só o conselho pode realizar esta comprovação. Nenhum
outro concílio poderá substituí-lo nesta delegação de competência. Por isso
mesmo, o conselho não pode eximir-se deste privilégio. É o conselho que tem a
responsabilidade de declarar que, no trabalho da Igreja, o declarante
demonstrou vocação para o Ministério Sagrado. A Constituição da Igreja, na
alínea b do artigo 115, confere esta competência exclusivamente ao conselho.
Não o faz a nenhum oficial da igreja, em particular, e nem a nenhum outro
concílio. Esta competência é conferida ao conselho na sua condição de concílio.
É preciso que a deliberação seja tomada em reunião formal. É decisão
importante, grave, solene e de profundo significado na vida do declarante e
também no futuro da igreja. Qualquer descuido, omissão ou desídia nesta
avaliação poderá comprometer o futuro de um oficial da igreja ou a própria
igreja. Para declarar que no trabalho da igreja o declarante já demonstrou
vocação para o Ministério Sagrado, o conselho precisa certificar-se de que a
declaração é absolutamente verdadeira. Declaração que não possa ser comprovada
é inidônea e o conselho jamais pode atestar que alguém demonstrou vocação para
o Ministério Sagrado apenas por ouvir dizer, ou porque o próprio interessado,
numa auto-avaliação, julgou-se vocacionado. O conselho precisa dispor de
elementos concretos para a sua própria convicção... Os critérios bíblicos
gerais que o Conselho deve buscar identificar em vocacionados a ofícios
eclesiásticos são indicados em Atos 6:3: integridade moral, capacitação
espiritual e qualificação funcional. Diáconos, presbíteros regentes e
presbíteros docentes devem ser “homens de boa reputação, cheios do Espírito e
de sabedoria” para o exercício de suas funções. As qualificações específicas
exigidas para o exercício do ministério da Palavra são relacionadas especialmente
em 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9a. Elas incluem boa reputação, vida familiar
exemplar, moderação, domínio próprio, sobriedade, modéstia, experiência,
piedade, fidelidade à Palavra de Deus e aptidão para o ensino...” (Manual do
Candidato, págs. 17-18)
*O manual citado ainda
oferece um questionário com alguns itens sugeridos que podem servir de roteiro
nessa avaliação.
2. Presbitério: Apreciação inicial; conhecendo a história,
convicções e motivações, sendo as respostas satisfatórias, o aspirante passa
ser considerado candidato ao sagrado ministério; passando para preparação e
capacitação teológica, recebendo um tutor eclesiástico que acompanhará seus
estudos, estágios de atividades práticas e vida pessoal, orientado e ajudando-o
em suas dificuldades e prestando relatórios aos concílios. A preparação hoje se
tornou mais institucional, por meios de cursos teológicos disponibilizados
pelos seminários. No passado o tutor ficava responsável pelo treinamento tanto
pastoral quanto doutrinário desse candidato.
Concluído o tempo de
estudos (em média 4 anos), o presbitério passa ao exame da capacitação teologia: 1. Sermão de
prova; 2. Trabalho de pesquisa Exegética, com tradução e análise das línguas
bíblicas (hebraico e grego); 3. Monografia ou tese, onde se demonstra a
condição de se defender um tema doutrinário, à luz da Escritura e história da
igreja; 4. Sabatina sobre confessionalidade e diversas questões teológicas. (no
caso da Igreja Presbiteriana do Brasil)
Sendo os dons atestados
com seus requisitos satisfeitos, segue-se a ocasião da ordenação, referida como
“imposição das mãos do presbitério”.
3.
A
confirmação e reconhecimento da igreja
- A igreja passa a reconhecer
alguns dons e ver-lhe como líder vocacionado por Deus (para o pastorado/presbiterato
ou diaconato), nas igrejas que adotam sistemas democráticos, há algum tipo
de eleição (escolha) eclesiástica. Os apóstolos orientaram a igreja que
observassem o caráter e a vida na escolha dos seus oficiais, deveriam observar
se eram homens cheios do Espírito, ou seja, se há evidencias e frutos de uma
verdadeira conversão, santificação e dedicação ao Senhor, tendo bom testemunho
dentro e fora da igreja, no lar (família) e sociedade, pois eles serão padrão
do rebanho e para o rebanho.
Concluída essa fase, a mais simples do pastorado, inicia-se
os desafios do pastoreio. Certa vez li uma frase em um artigo de uma revista
puritana que resume bem o primeiro desafio pratico do ministro, dizia que “o maior trabalho do pastor é manter-se vivo”.
O pastorado é muito mais desgastante e árduo do que os olhos podem ver, só sabe
do que falamos aqueles que estão na linha de frente dessa batalha espiritual,
um pastor chegou a comparar a pregação com o trabalho de um exorcista.
Contudo, como afirma Cornelis Van Dam sobre o ofício e dons necessários: "Um ofício eclesiástico pode ser definido como uma tarefa dada por Deus para um serviço específico, contínuo e institucional à sua igreja, visando a sua edificação... Quando Deus dá uma tarefa, ele também provê os dons necessários para a sua realização. O direito ao exercício do ofício eclesiástico, no entanto, não reside nos dons que alguém possa ter, mas no Senhor que chama para o serviço." (Livro: "O Presbítero: Orientações bíblica essencial sobre um ofício indispensável para a igreja." Cornelis Van Dam. Editora Cultura Cristã, 2019. pág. 18).
Deixemos primeiramente que Cristo, os profetas e apóstolos,
com suas palavras e vida testemunhem dessa verdade, eles sentiram e sofreram em
maior grau que nós.
As dificuldades (Sl 23; Jo 10)
Lutas internas e
externas:
Relembremos também suas palavras de convicção, firmeza e incentivo.
"excelente obra
almeja... primeiramente experimentados" (1Tm 3)
"provasse as coisas
excelentes" (Rm 12)
"Fonte de lucro é a
piedade" (Tm)
"O dom que há em
ti, por imposição de mãos". (Tm)
"Arquipo, atenta
para o ministério..." (Cl 4.17)
“Que eu complete a
carreira que me está proposta... Completei a carreira...”
*(Em desenvolvimento...)
Artigos Relacionados:
- Os Obstáculos e Dificuldades do Cristão
- Ânimo
- Vida Expositiva
- Ouvintes Melindrosos
- Servos Adoradores ou Desertores
Indicações de Leitura:
- O Pastor Aprovado - Richard Baxter. Ed. PES.
- Um Trabalho de Amor: Prioridades Pastorais de um Puritano - Stephen Yuille. Ed. Os Puritanos
- Vocação Perigosa: Os tremendos desafios do ministério pastoral - Paul Tripp. Ed. Cultura Cristã
- A Dor Invisível dos Presbíteros - Luciana Campos. Ed. Vozes.